Australian Pink Floyd
05/10/2007
Via Funchal – SP/SP
Por: Paula Witchert/ Fotos: Patrícia Patah
Fui ao Via Funchal imaginando o motivo de tanto burburinho por causa de uma banda cover. Poucos minutos antes do show, quando já podíamos ver os martelos com cabeças de canguru expostos no palco, uma colega de imprensa me confessou: havia chorado na última apresentação do início ao fim. “Que exagero!” – pensei. Mas só quando o espetáculo iniciou é que todas as questões em minha mente foram respondidas...
Pouco mais de 22h,“Speak to Me/Breathe” acompanhada de vídeos da clássica banda inglesa deu início a apresentação, emendando com a belíssima “Shine On You Crazy Diamond”, que de cara enlouqueceu o público. Logo na primeira música já pude perceber o motivo de tanto alvoroço para a ‘tal banda cover’. Era simplesmente de espantar a perfeição com que estes músicos executavam as músicas, sem contar na qualidade absurda do som [parabéns! Sr. Excelentíssimo Técnico de Som] de fazer inveja. Os timbres eram impecáveis, inclusive do vocalista/baixista Colin Wilson, sem contar na semelhança física do guitarrista/vocalista Damien Darlington com David Gilmour [um pouco mais magro, é claro!].
A bateria de Paul Bonney anunciou que “Learning to Fly”, do álbum “A Momentary Lapse of Reason”, seria a próxima música. A casa completamente lotada [principalmente de ‘tiozinhos’] e as mesas apertadíssimas não foram empecilho para os olhos e ouvidos atentos que assistiam maravilhados àquele espetáculo. Mas foi a seqüência matadora, “Money” e “Us and Them”, ambas do clássico “The Dark Side of the Moon”, que deixou o público completamente alucinado. As cenas constantes do clipe davam majestosamente o toque final.
Outra do “A Momentary Lapse of Reason”, a balada “On The Turning Away”, veio logo depois, seguida pela estonteante “Time” cantada em coro pelo público.
A essa altura do campeonato, eu já compartilhava lágrimas com a minha colega de imprensa, mas foi com “The Great Gig in the Sky” que a emoção tomou conta de mim e de todos da platéia. As backing vocals executaram uma performance simplesmente absurda, dignas do verdadeiro Pink Floyd. Não foi à toa que arrancou gritos e aplausos do público, inclusive durante a apresentação.
A antiga e exótica “Set the Controls for the Heart of the Sun”, da época do saudoso Syd Barrett, veio em seguida e foi bastante aplaudida também, mesmo não sendo muito conhecida.
“Take it Back” do álbum “The Divisions Bell” e a extensa e lisérgica “Pigs (Three Different Ones)” do disco “Animals” deram seqüência à bela apresentação. Antes da belíssima “Wish You Were Here” pela primeira e única vez problemas técnicos causaram uma verdadeira bagunça no som [não o suficiente para denegrir a apresentação]. A música em questão também foi cantada em coro pelo público.
O show seguiu com a instrumental e ‘viajante’ “One of These Days”, dando abertura à famosa “Another Brick in the Wall” que evidentemente causou delírio geral, quando a esta altura o público já estava todo de pé. Trechos do clássico filme eram exibidos no telão e o belo solo de guitarra deu continuidade a um solo de órgão, improvisado pelo grupo.
Colin agradeceu em português e apresentou os integrantes para finalizar a primeira parte do show com a maravilhosa “Comfortably Numb”, quando mais uma vez o público cantou em coro. A banda foi aplaudida de pé enquanto saía do palco.
O bis veio logo depois a pedidos com a já esperada “Run Like Hell”, acompanhada por palmas e gritos, encerrando esta apresentação espetacular. Sinceramente, o melhor show que já vi em toda a minha vida!
|