Dominguinhos
De 08/05 a 18/05/2008
Teatro Fecap – São Paulo/SP
Por: Mariana Sayad / Fotos: Almeida Rocha

Antes de começar o show, Dominguinhos falou muito mais do que outros artistas. Não exagerou, até por que o exagero dele seria o nosso deleite, pois é calmo, sereno e muito simpático. Contou toda a história do show, que leva o nome “de Neném a Dominguinhos”. Quando começou a carreira seu apelido era Neném, logo, esta temporada é uma retrospectiva de sua carreira.

No palco com ele estavam Sandro Haick (violão de 7 cordas e guitarra), Lau (baixo), Fuba de Taperoá (pandeiro), Fabinho (zabumba), Alex Buck (bateria) e Bombarda (acordeon). Para começar, nada melhor do que o choro, afinal, foi por ele que Dominguinhos iniciou sua carreira. A primeira “Eu quero é Sossego” de K-Ximbinho.

Como não podia faltar, fez uma bonita homenagem ao Sivuca depois de contar a história da música “João e Maria” (Sivuca e Chico Buarque). Para terminar a parte de choro, ele tocou “Princesinha do Choro” (Dominguinhos) e “Tico-tico no Fubá” (Zequinha de Abreu).

Xote

A partir desta parte, o show começou a ser cantado. Inclusive, com a participação de sua filha, Liv Moraes, que definitivamente puxou o talento e a musicalidade dos pais. Nesta parte, eles tocaram e cantaram a linda “Retrato da Vida” (Dominguinhos e Djavan); “Casa Tudo Azul” (Dominguinhos e Fausto Nilo), entre outras.

Entre quase todas as músicas, Dominguinhos parava para conversar mais com o público e brincar com os músicos, o que deu muita descontração ao show. Entre estas paradas, ele contou sobre a Maria Inês, que foi a primeira a incentivá-lo a compor. Depois, seguiu o show com alguns “clássicos”, mas muito interessantes e, claro, lindos, como “De volta pro aconchego” e “Isto aqui tá bom demais” (Dominguinhos e Nando Cordel); “Eu quero um xodó” (Dominguinhos e Anastácia), “Lamento Sertanejo” (Gilberto Gil), etc.

Durante o show do Dominguinhos dá uma vontade de levantar da cadeira e dançar, afinal, o xote é muito contagiante. Então, o mais óbvio a se questionar é o por quê da realização de um show “dançante” num teatro lotado de cadeiras. Inclusive, este questionamento foi levantado por outros jornalistas. É interessante lembrar que o forró e o xote também devem estar nos teatros. Principalmente, quando se tem no palco figuras que fazem parte desta cultura, ou seja, a música não está simplesmente sendo mostrada para um público de fora e, sim, sendo mostrada por representantes “legítimos”.

A partir disso, é louvável que esta música seja tratada como uma obra de arte e não apenas entretenimento para dançar. Logo, o Teatro Fecap – que é um dos melhores de São Paulo – é o lugar ideal para este tipo de show.

 
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