Nazareth
28/05 – Quarta-feira
Citibank Hall – São Paulo/SP
Fotos e Texto por Vinícius Mariano

 

Após quase exatamente um ano daquele show inesquecível no Espaço Lux, em São Bernardo do Campo (SP), os escoceses do Nazareth desembarcaram novamente no Brasil para uma nova turnê. Desta feita, mais cidades foram privilegiadas e a banda trazia na bagagem o show de lançamento do seu novo álbum, “The Newz”, o primeiro em dez anos desde o lançamento do último disco de inéditas do grupo, “Boogaloo”, de 1998. Além disso, a razão não poderia ser mais do que especial, já que a banda comemora neste ano seu 40º ano de vida.
 

Uma das coisas que mais nos impressionou logo ao entrar no Citibank Hall foi constatar que a produção encheu a pista de mesas e cadeiras, obrigando todos a assistirem o show sentado. Decisão um pouco precipitada, já que o Nazareth é um dos mais legítimos representantes do bom e velho hard rock setentista e não teria sentido nenhum ouvir pauladas do naipe de “Razamanaz”, “My White Bicycle” ou “Hair Of The Dog” como se estivesse num show do Kenny G.

 

Um pouco depois do horário previsto pela produção, as luzes se apagaram e uma bela introdução típica escocesa, com um som de gaita de fole, abriu o espetáculo antes de a banda entrar em cena eletrizando com a excelente “Beggar’s Day”. Sem muita conversa, “Keep On Travellin”, do novo álbum, manteve o ritmo garantindo os primeiros minutos de mais uma noite que já dava status de inesquecível. E, de fato, foi o que aconteceu.

 

Pela primeira vez, o vocalista Dan McCafferty falou com o público colocando a mão sobre os olhos para escapar da luz que lhe dava um destaque especial no palco e, também, para ter uma visão geral da casa. Olhou para as quatro paredes do Citibank Hall, agradeceu e fez brincadeiras com o formato “comportado” que as mesas davam ao espetáculo dizendo que esperava ver as pessoas pulando em frente ao palco. Terminou anunciando que a próxima música “já deveria ter uns 115 anos e era do tempo que ele era alto e bonito”. Gargalhadas à parte, o furacão “Razamanaz” explodiu como um trovão dos falantes comandada pelo vozeirão de pato engasgado de Dan, que, apesar do tempo de estrada, continua intacto. Dan, aliás, foi um show à parte. A todo tempo fazia brincadeiras com o público e consigo mesmo, se mostrando muito mais à vontade do que na última passagem da banda por aqui.

 

A seqüência não poderia ser mais esmagadora com a execução de mais um grande clássico: “This Flight Tonight”, uma das preferidas deste redator. A essa altura, a expressão de satisfação estava estampada no rosto de todos os presentes, que cantavam e batiam palmas interagindo o máximo com os músicos. 

 

“Love Enough” e “A Day At The Beach”, canções fresquinhas do novo álbum, também funcionaram muito bem ao vivo. Impressionante, aliás, o fato de ambas terem um certo clima “oitentista” muito instigante, principalmente esta última que, particularmente, considero a melhor faixa do novo álbum e uma das músicas mais legais composta pela banda nos últimos anos.

 

O primeiro momento de emoção pintou quando a belíssima “Dream On” ecoou por todo o perímetro do Citibank Hall. A interpretação de Dan foi tão emocionante que, confesso, quase fui às lágrimas. Impressionante como certas músicas se encaixam perfeitamente com um período de sua vida, mesmo composta 30 anos antes. Isqueiros mostravam suas chamas e balançavam de um lado para o outro acompanhando o ritmo, enquanto casais apaixonados aproveitavam para ficar ainda mais próximos. E foi ao término desta canção que ocorreu um dos fatos mais engraçados da noite: enquanto todos aplaudiam sua mágica interpretação, Dan se dirigiu novamente ao microfone e, num “português macarrônico”, disse: “vocalista fantástico”. As gargalhadas foram gerais.

 

Clássicos como “Big Boy” e “My White Bicycle” (em ordem invertida) não foram deixados de fora e fizeram a festa dos fãs das antigas. A essa altura, alguns já ameaçavam a levantar e ficar mais próximo do palco.

 

“Whiskey Drinking Woman”, do espetacular “Hair Of The Dog” (1975), também protagonizou um dos momentos de destaque da noite. Dan novamente brincou com o público e disse que essa música relembrava os tempos em que eles iam pra Amsterdã, na Holanda, e ficavam por lá fumando um “cigarro“. Bons tempos do sexo e rock ‘n’ roll.

 

Como era de se esperar, a banda reservou mais para o final do set aquela que é, sem sombra de dúvida, a canção mais conhecida de toda a sua carreira: sim, “Love Hurts”. Seus pais, seus avós, enfim, todos a conhecem. E pode ser que você esteja lendo este review em razão de um romance embalado por essa canção. Alguns a vêem como uma música careta ou brega, mas ao vivo ela soa ainda mais encantadora.

 

Em seguida, mais dois clássicos de arrepiar: “Hair Of The Dog”, com direito a gaita de fole tocada por Dan no meio da música, interpretando fielmente como na original, e “Expect No Mercy”.

 

Aos gritos de “Nazareth”, a banda foi obrigada a voltar para o bis. A princípio, deveriam ter tocado apenas a antológica “Morning Dew”, do primeiro álbum, auto-intitulado, de 1971, mas os pedidos de “mais uma” foram tantos que o grupo voltou e tocou também a bela “Broken Down Angel”, do mega-clássico “Razamanaz”, de 1973, que encerrou a apresentação. “Essa é a última e depois vamos dormir”, disse Dan.

 

Enfim, o que se pode dizer é que a turnê de lançamento do álbum “The Newz” no Brasil, emendada com a comemoração do 40º aniversário da banda, foi um espetáculo inesquecível do bom e velho rock ‘n’ roll mostrando que quem é rei – definitivamente – não perde a majestade. Como já dizia a velha frase: “Quanto mais velho, melhor”.
 

Vinícius Mariano

 

Set list:

Intro
Beggars Day
Keep on Travellin’
Razamanaz
This Flight Tonight
A Day At The Beach
My White Bicycle
Big Boy
I’ve Got Enough / Enough Love
Bad Bad Boy
Whisky Drinking Woman
The Gathering
Love Hurts
Hair Of The Dog
Expect No Mercy

Encore:

Morning Dew
Broken Down Angel

 

 
SL Revista Eletrônica - Todos os direitos reservados - www.slrevistaeletronica.com.br