Olá, galera da SL Revista Eletrônica!
 
Nessa segunda transcrição que publico aqui em nossa revista on-line, apresento a vocês uma das mais belas obras do metal progressivo: “Under a Glass Moon”, da banda que, sem dúvida, mudou os rumos do rock pesado moderno, o Dream Theater.

Essa música faz parte do segundo disco da banda, “Images & Words”, de 1992, e se trata de uma aula de guitarra por si só. Arrisco-me a dizer que o solo dessa música – bem como a obra por completo – resume todo o fazer musical da guitarra solo rock das décadas de 70, 80 e 90. Há peso, pegada, virtuosismo com excelente bom gosto e aplicado no contexto da música, sem nada gratuito. Um daqueles solos que não se pode nem tirar, nem acrescentar. Simplesmente perfeito!

O solo passa pelo alternate picking, legatos, sweep picking, two hands, bends sobre uma escala pentatônica, enfim, um resumão da guitarra shred e, ainda por cima, tudo organizado numa estética de tirar o fôlego!

Não é preciso dizer que é uma música altamente didática, pois aquele que se aventurar nessa transcrição com certeza crescerá muito nos quesitos polirritmia e técnica guitarrística.

Mas como enfrentar tal desafio? Posso passar a vocês minha experiência: primeiro procuro tirar a música de ouvido, antes de encarar uma tablatura. É um excelente exercício musical que aumenta – e muito – a intimidade do músico com o braço do instrumento, quesito tão necessário tanto para tocar como compor ou improvisar.

Depois de uma primeira "tirada de ouvido" você já vai ter uma noção da forma e estrutura da música (partes A B C, refrão, etc). Daí, então, volto com a tablatura corrigindo eventuais "erros" e tirando as partes mais "cabeludas". Sempre treinando com monitoramento da velocidade do metrônomo, começando na metade do tempo e subindo de 5 em 5 pontos o ajuste do metrônomo, até que chegue na velocidade da música.

Agora um tema polêmico: a digitação. Hoje em dia eu vejo muita gente que "vê" guitarra em vez de "ouvir". Se o arpejo foi em tapping, o cara se sente obrigado a fazê-lo da mesma forma, mesmo não estando habituado com tal. ISSO É UMA GRANDE BESTEIRA! Grandes guitarristas como Paul Gilbert, Frank Gambale, Richie Kotzen e Jason Becker, já declararam publicamente sua preferência por determinada forma de digitação em detrimento a outras. E quando tocam covers executam o mesmo trecho com maestria, porém, na sua própria concepção guitarrística. Posso citar como exemplo, a introdução de “Green Tinted Sixteen Mind” do Mr. Big executada por Kotzen sem os "famosos" two hand tappings e o riff ficou perfeito. Logo, o que quero dizer é: sinta-se à vontade para mudar a digitação de um trecho musical qualquer, desde que não afete o sentido do mesmo, pois a música é feita por notas e as mesmas devem ser ouvidas e não vistas.
 
Até a próxima pessoal! E abraços “Passamânicos”!
 
Sobre o autor:
Claudio Passamani é endorse da Romeo Guitarras e luthieria em geral. Conheça mais em www.passamani.mus.br e em www.myspace.com/cpassamani.

Confira a transcrição completa aqui.

 
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