Sérgio Buss
Por: Paula Witchert/ Fotos: Paulo Koglin

Com um belo e extenso currículo, o guitarrista, arranjador e compositor, Sérgio Buss ficou conhecido principalmente pelo projeto Tritone, juntamente com Edu Ardanuy (Dr. Sin) e Frank Solari, além de diversos trabalhos com o renomado guitarrista norte-americano Steve Vai, entre outros. Desgostoso com o mercado musical e ao mesmo tempo em fase de lançamento de seu segundo disco, "Liquid Piece of Me", o simpático catarinense Sérgio Buss conta sobre este projeto minucioso, que envolve diversos tipos de arte, e fala um pouco mais de sua carreira e dos planos para o futuro.

Paula Witchert

PW – Como foi o processo de composição de “Liquid Piece of Me”?
SB – Foi bem demorado, porque eu buscava um conceito um pouco diferente do que o mercado apresenta hoje para o público guitarrista e isso levou um tempo. Um processo de tentativa e erro, talvez. Um projeto que misturou roteiro de uma história escrita por mim com específicas transformadas em música. Até chegar num resultado que me deixou contente.

PW – Você poderia contar resumidamente esta história? Ela foi baseada em algum fato real?
SB – Eu não tinha interesse em fazer uma história autobiográfica, biográfica ou baseada em fatos da minha vida. Eu não quero expor a minha vida pessoal desta maneira. Foi uma história que escrevi baseada em coisas que gosto: em filmes que acho legais, fotografia, trabalhos de outros artistas, escultores, pintores... Geralmente é um conceito que vem na sua cabeça e você acaba desenvolvendo quando trabalha com arte e com criação. Às vezes, não tem muito controle de como o processo acaba caindo no seu colo. No meu caso, eu simplesmente pensava em escrever o roteiro de uma história e desenvolver uma trilha sonora para ela. Eu comecei a pensar em situações fictícias, mas bacanas - e tudo isso foi gerando um conceito, personagens e a função de cada um deles na história. É mais ou menos por aí...

PW - Quanto tempo durou este processo?
SB – Foi um processo que eu comecei em 1999, mas eu parei e deixei engavetado por dois anos. Em 2002, voltei a trabalhar nele, não fiquei contente com o resultado e parei por mais um tempo. Tive de me dedicar a outras coisas na minha carreira, mais como produtor e arranjador. De uns três anos pra cá, eu voltei a trabalhar no projeto de uma maneira mais intensa, como realização pessoal mesmo. Não tive e não tenho uma preocupação de mercado, de quanto e como vai vender. Eu simplesmente queria fazer um projeto que eu estivesse 100% satisfeito. Até por isso teve esta demora - eu sou um pouco exigente com as coisas que faço e pelo fato de eu ter o meu estúdio e poder trabalhar com calma, sem me preocupar com o relógio e como vou pagar. Eu ia trabalhando nas minhas horas de folga, mais como um hobby mesmo. E acabou gerando um projeto de três anos de trabalho intenso. Eu trabalhei na parte gráfica por quase um ano e meio com o Emerson (um amigo de São Paulo), trocando e-mails, referências, tirando fotos, mexendo no Photoshop, mandando para ele e vice-versa e indo visitá-lo em São Paulo. Acho que a parte gráfica demorou mais do que a musical, por ser uma coisa nova pra mim, não tinha tanta experiência.

PW – Deve ser difícil transmitir a idéia que você queria passar nas músicas para a pessoa fazer as imagens. Digo isso porque podemos perceber que as músicas transmitem sensações diferentes, que estão ligadas diretamente às imagens.
SB – Exatamente. Na verdade, eu trabalhei com as artes e as músicas como um bate-bola. Algumas músicas foram inspiradas nas artes e vice-versa. Eu não quis seguir uma regra fixa, mostrar as músicas e representá-las graficamente nem o contrário, simplesmente deixei o processo acontecer. Algumas idéias de arte eu já tinha definido, por isso elas saíram primeiro. Em cima do resultado delas, me inspirei para terminar as músicas e mexer nos arranjos. Em outras situações, era o contrário: eu tinha a música na cabeça e usava isso para dar a cara que eu queria para a arte.

PW - Você iniciou este projeto em 1999 e se inspirou em diversos artistas da música, pintura e cinema. Durante todo este período, as influências não vão mudando? Ou você já tinha isso fixo na cabeça?
SB - Por exemplo, às vezes, não é o fotógrafo em si, mas uma fotografia que nem sei quem tirou. Eu não tento copiar o que a pessoa está fazendo, transportado para o meu mundo. Eu tento me inspirar em "onde estava a cabeça desse artista para pensar dessa maneira?". Então, acaba sendo algo meio atemporal. A minha interpretação do trabalho do artista hoje pode ser uma coisa e daqui a um tempo eu posso ver de outra forma.  

PW – Você pretende lançar este roteiro também no cinema? Existe algum projeto para isso?
SB - (risos) Não. Uma das coisas bacanas deste projeto é a história não ficar explícita. O roteiro não está na íntegra no encarte do projeto, preferi colocar fragmentos, pedacinhos que indicassem o caminho para o ouvinte captar o que eu quis dizer ou imaginar em cima. Não tenho interesse em deixar o roteiro explícito justamente para as pessoas fazerem 'brainstorm' com o encarte, com as músicas. Aquela experiência de sentar, colocar um fone no ouvido, dar play e folhear o encarte. Ouvir um som e ver como aquilo está representando graficamente, ler um pedacinho do roteiro na arte e ter uma pista do assunto da música ou parte da história, sempre com espaço para dar a sua interpretação, que é o grande barato da música instrumental. Quando a música tem letra, qualquer ouvinte entende o que é dito. Com a música instrumental, você ouve uma melodia, um arranjo e tem vazão pra pensar o que o compositor quis dizer. Isso sempre me fascinou na música instrumental desde o começo.

PW – O álbum é dividido em três partes. Como e por que você fez esta subdivisão?
SB – Esse é mais um dos segredinhos do projeto. Se você prestar atenção nas artes e no arranjo das músicas, vai ver que tanto o arranjo como a mixagem das três primeiras músicas tem um conceito diferente da música quatro até a quatorze e depois das três últimas músicas que também têm sonoridade, arranjo e conceitos um pouco diferentes. Tudo faz parte da brincadeira "o que ele quis dizer com isso?". A versão nova do meu site foi esta semana pro ar e eu disponibilizei um fórum para as pessoas darem opinião sobre o projeto. Eu recebi vários e-mails com as teorias e tem coisas que eu não imaginaria. É engraçado ver como as pessoas reagem a isso, como interpretam. É bacana essa interação, existe um porque sim, mas é um quebra-cabeça gigante, que você monta aos pouquinhos.

PW - Você pretende continuar a história do "quebra-cabeça" ou fazer um outro projeto semelhante no futuro?
SB - Não sei. A pirataria, uma tendência de mercado muito grande, me leva a pensar em não lançar um próximo CD. Fazer um CD custa dinheiro, fazer independente é mais caro ainda, porque não tem uma estrutura em larga escala. Neste caso, eu quis fazer um encarte com 30 páginas, algo cada vez mais raro. Hoje em dia, você vê encartes cada vez menores e com menos folhas, exatamente para economizar na produção. É uma incógnita. O lado mercadológico me diz não, nem desta história e talvez nenhum outro. Ao mesmo tempo, o lado artístico diz sim. Com certeza, nunca vou deixar de compor. Sempre terei meus amigos por perto, o pessoal mais chegado que vai ouvir novas composições, mas não sei até que ponto o mercado vai permitir que isso acabe indo pra rua. A vendagem deste CD vai ditar um pouquinho essa regra. Se eu perceber que tem uma aceitação boa pelos fãs, se eles preferirem prestigiar o trabalho, ir nas lojas, entrar no meu site e comprar e isso trouxer um retorno suficiente que banque um próximo projeto é possível que sim.

PW – Como foi o processo de gravação do disco? Quanto tempo durou?
SB – Foi interessante. As baterias foram gravadas em estúdios diferentes. Eu gravei em São Paulo e no Rio de Janeiro. Para os guitarristas, no caso da participação do Tritone – o Edu (Ardanuy) e o Marcelo (Barbosa) vieram em Curitiba pra gravar. Para as participações internacionais, obviamente eu mandei por internet as músicas. São amigos meus, com quem tenho contato e afinidade artística grande. Foi fácil passar pra eles o conceito, contar um pouquinho da história. Em muitos casos, eles receberam em primeira mão o esboço das artes ou mesmo algumas finalizadas para se inspirar graficamente como eu, ver o que aquilo trazia. Foi um processo muito divertido pelo fato de eu trabalhar com heróis pra mim. Todos que participaram - os bateristas Aquiles (Priester), Claudinho (Infante), Otávio (de Moraes); os guitarristas brasileiros e internacionais - Blues Saraceno, Brett Garsed, TJ Helmerich e Steve Blucher; os baixistas Serginho Carvalho que participou do meu primeiro CD, o Diego Porres que toca comigo agora - um cara daqui de Curitiba que toca muito bem - todos eles além de meus amigos são meus heróis. São pessoas que admiro muito como músicos, então, foi antes de tudo uma honra.

PW – A escolha destes músicos foi exatamente pela musicalidade ou teve outro motivo?
SB – Todos que participaram do projeto - as pessoas que ajudaram com o design da capa, que tiraram fotos, os modelos, os atores que fizeram as vozes dos personagens, os músicos e o pessoal que cuidou da parte de editoração, sem exceção, são meus amigos. Fiz questão de estar cercado por pessoas que eu gostava muito, considerava e que trouxessem uma “vibe” bacana para a gravação do CD. Uma coisa muito legal foi a participação do meu pai neste disco. Não é todo músico que tem o prazer de dizer que o pai participou do CD. No caso dele, por exemplo, ele não é um guitarrista profissional. Ele toca guitarra em casa, a cada seis meses ou um ano por diversão, alguns acordes hoje em dia. Gosta de tocar música dos Beatles pra se divertir, coisa e tal. Então, é óbvio que neste caso não foi uma escolha feita em cima das habilidades musicais dele e sim pelo que representa ter meu pai tocando no CD. No fim, ele matou a pau, tocando superbem. O conceito original era ter pessoas queridas neste trabalho.

PW – Qual a sua maior preocupação quando vai gravar um álbum?
SB – Eu posso dizer em relação a este: eu queria quebrar um pouquinho o que estava sendo mostrado no mercado de música instrumental. Infelizmente, às vezes os músicos se perdem no que mostrar para as pessoas, naquela preocupação de mostrar para os outros musicistas que eles são excelentes profissionais. O CD tem trabalhos musicalmente interessantes, mas sem a preocupação de "o que eu vou fazer para os meus amigos músicos se impressionarem. Qual escala vou tocar ou que técnica eu vou usar". Eu tentei fugir completamente disso. Eu queria fazer música não somente para músicos e sim pra "pessoas normais", que curtem música, não entendem que escala ou técnica está sendo usada, não sabem nem o que é um amplificador de guitarra. Mas ouvem aquilo e dizem "nossa, que gostoso ouvir isso!". Tem sido uma recompensa grande pra mim, porque tenho recebido telefonemas de amigos dizendo: "Serginho, a minha mãe adorou o seu CD!" ou então "Serginho eu fui viajar com a minha namorada e na volta ela me pediu pra colocar o CD de novo." Eu acho que consegui chegar onde queria. A minha preocupação principal era essa: mostrar um trabalho para as pessoas, não só para os músicos.

PW – O que um guitarrista precisa fazer, além de estudar, para se tornar um bom músico?
SB – Ser músico é uma profissão que precisa ser levada a sério como qualquer outra. Muitas pessoas quando querem ser médicas ou advogadas vão pra faculdade, viram a noite, fazem plantão, estudam e pesquisam bastante, se aprimoram ao máximo. Infelizmente, os músicos às vezes ainda usam aquela desculpa de que se estudar vai perder o talento natural, isso não existe. O talento de cada um está dentro e não se tira. Quanto mais estudar, pesquisar e mais tempo gastar com o instrumento maior será a recompensa. Eu diria para quem quer seguir uma carreira e ser tratado como profissional ter uma atitude profissional. E isso começa com o estudo.

PW - Talvez a marginalização da profissão seja parcialmente culpa dos músicos que às vezes não se valorizam ou lidam com a profissão como devem.
SB - Por exemplo: se você quer ser advogado precisa fazer uma prova difícil para a Ordem dos Advogados. A própria Ordem exige bastante pra manter um padrão de qualidade dos profissionais e mesmo assim às vezes não consegue, mas tenta. No meio dos músicos, arranjadores e produtores, as coisas funcionam de maneira muito informal. O cara entra numa loja, compra uma guitarra e diz ser guitarrista, segundo ele mesmo. "Eu toco violão, então sou músico." A informalidade do nosso mercado puxa pra esse lado de ter, às vezes, atitudes e situações amadoras, infelizmente.

PW – Falando um pouco de carreira, você participou como músico e produtor de diversos discos de artistas, entre eles: Mello Jr, Dr. Sin, Steve Vai e projeto Tritone. Gostaria que você falasse como foi trabalhar nesses projetos e qual você gostou mais.
SB – Todos os projetos que participei trouxeram um retorno muito bom em termos de realização pessoal, cada um por motivos diferentes. Por exemplo: o Tritone surgiu quando eu tinha lançado meu primeiro disco solo, "Incarcerated Scream”, e pensava como reproduzir isso ao vivo. Eu tinha dois, três ou quatro canais de guitarra, teria que ter três guitarristas. Eu levei este conceito pra frente. Na época, chamei o Frank (Solari) e o Edu (Ardanuy) pra participar de novo. Dois gênios da guitarra no Brasil, que me ensinam muito como guitarrista. Fiquei superfeliz quando eles toparam. Tê-los nesta banda foi muito bacana, foi um prêmio. O fato de aceitarem trabalhar comigo também quer dizer que de alguma forma eles respeitam meu trabalho como guitarrista, isso não tem dinheiro que pague.
Trabalhar com o Vai foi bom porque na época eu era muito novo e ainda estava aprendendo. Ele era e é até hoje o meu maior ídolo musical e não é todo mundo que tem a felicidade de ser convidado pelo seu maior ídolo no mundo para trabalhar. O cara confia no que eu faço e gosta. A maior realização de trabalhar com ele foi essa, um crescimento pessoal grande, eu aprendi estando com ele e com muitos músicos ao seu redor. Muita coisa sobre arranjo, composição, guitarra... Então cada projeto teve um 'quê' especial por motivos diferentes.

PW – Há alguma previsão de shows de lançamento do CD?
SB – Existem negociações para fazer os shows deste CD. Eu tenho de estudar as possibilidades, porque isso envolve ensaio com banda. É um trabalho com arranjos, uma produção complicada, difícil de reproduzir ao vivo. Exige vários músicos, ensaio intensivo com todo mundo. Então, tudo tem que ser pensado com calma, mas é óbvio que tenho vontade de fazer pelo menos as principais capitais do país. A Fnac me convidou para fazer pocket shows nas principais lojas e eu estou vendo a viabilidade. Se tiver como, com certeza, eu farei.

PW – Tomara que dê tudo certo, você merece. As pessoas passam aqui e vêem o CD na minha mesa e perguntam: que CD bonito, de quem é? E eu sempre falo pra ouvirem pra conhecer...
SB – Obrigado. Além de ser pelo conceito do projeto, um dos motivos de eu ter gasto tanto tempo e me empenhado na parte gráfica é a intenção que as pessoas adquiram o trabalho e não fiquem trocando arquivo em MP3 pela internet em baixa qualidade, CD-R escrito com canetinha. É tão legal a experiência de comprar um disco, deitar no chão da sala e colocar um fone de ouvido ou ligar alto no carro e folhear o encarte, deitado na rede no final de semana ou na praia... Eu queria resgatar isso, uma coisa que eu fazia quando adolescente. Eu ficava louco pra ir às lojas de discos comprar um LP, enquanto eu escutava, ficava lendo quem tocou, quem participou. Então, uma das idéias da parte gráfica do projeto é resgatar um pouco isso.

PW – Claro, até para valorizar o trabalho do artista também. Hoje muitas pessoas baixam as músicas na internet, mas nem sabem quem está tocando...
SB – Exatamente. De certa forma, fico feliz por uma pessoa baixar uma música minha, sem saber que sou eu, se essa música fizer a pessoa se sentir bem. Mas, obviamente, ninguém tem um trabalho de prensar um CD para não vender. Vamos torcer para que as pessoas prestigiem e que isso me faça seguir adiante, tendo uma parte dois desta ou uma história diferente ou ainda surpreendendo novamente as pessoas com algo totalmente diferente deste projeto.

PW – Para finalizar, gostaria que você deixasse uma mensagem para nossos internautas.
SB – Pra quem está estudando, no Souza Lima, querendo melhorar e se profissionalizar, tenha uma atitude profissional antes de tudo, com você mesmo, leve a sério o que quer fazer. Acredite na sua arte e compre o meu CD. Divirta-se ouvindo e depois me passe um e-mail dizendo o que achou! 

PW – Serj, muito obrigada pela entrevista. Parabéns pelo trabalho e sucesso pra você!
SB – Imagina. Eu fiquei superfeliz porque você gostou do trabalho. Tem sido muito legal o retorno das pessoas até agora, o CD começou a vender faz pouco tempo e já me sinto realizado com este projeto. Se o CD vai vender muito ou não, isso é conseqüência. Eu recebi um e-mail hoje do Larry DiMarzio, presidente da DiMarzio, dizendo que fazia tempo que ele não ouvia um trabalho de guitarrista tão interessante quanto o meu. Não tenho como descrever a alegria de receber um e-mail deste! A gente tem um relacionamento profissional bacana, eu trabalho com a marca há um bom tempo, mas ter a oportunidade de ouvir isso de um cara que trabalha com os melhores guitarristas do mundo! Eu diria que os melhores guitarristas do mundo trabalham com a DiMarzio e eu estar ali no meio já é uma honra. Ainda receber um e-mail dele é uma realização pessoal. Eu fiz este CD esperando ouvir coisas deste tipo, não muito preocupado em impressionar tecnicamente. Hoje, não toco o que eu tocava há dez anos, uma época que eu tinha tempo de tocar dez, 12 ou 14 horas por dia. Agora tenho de me dividir entre guitarrista, arranjador, compositor e engenheiro de som, obviamente, o lado guitarrista sofre um pouquinho. Mas eu não tenho mais a preocupação de mostrar “olha o que eu consigo fazer!”. Há muito tempo não é inventada uma técnica nova de guitarra que ninguém sabe. Todo mundo sabe hoje como as coisas são feitas, então, ouvir o maior elogio pra mim é “eu gostei muito da sua música”, isso chama mais atenção do que “aquela escala que você tocou” ou “a técnica que você usou”.

 

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