Guto Brambilla
Por: Paula Witchert/ Fotos: Divulgação

Guto Brambilla iniciou na música aos 14 anos com violão erudito no Conservatório Marcelo Tupinambá, passando depois ao contrabaixo, na ULM e CLAM.  Atual como profissional há 17 anos atuando em diversas casas de shows e eventos. Participou dos discos de Alcides Neves, Marcos Arrais, Robson Fernandes, Marcelo Coelho e é docente do Souza Lima e integrante dos grupos Sinequanon, Rapazes do Trio e MC4+, além de ser um dos idealizadores da Cooperativa Vanguarda Instrumental. Com uma atuação discreta e profissional, Guto tem feito um belo trabalho na área didática e musical.

PW – Como surgiu o seu interesse pela música?
GB – Minhas irmãs estudaram acordeon e piano. Tinha um violão em casa também, além de alguns discos, daí veio o meu interesse em estudar música.

PW – Você iniciou os estudos com violão erudito. Por que a mudança para o contrabaixo?
GB – Porque eu queria tocar com os amigos, montar uma banda e num determinado momento eu percebi que estudar música é uma atividade solitária, você tem que passar horas por dia sozinho com seu instrumento, estudando. Com isso, pensei que seria melhor fazer com amigos na hora de pôr em prática, por isso mudei de instrumento.

PW – E por que migrar do erudito para o jazz?
GB – Quando eu comecei a me interessar por música, quis estudar para aprender a ler partitura, teoria etc. Naquela época eram poucas as opções de escolas de música popular, o que eu só vim a conhecer mais tarde. No começo do estudo do contrabaixo, aprendi e toquei um pouco de rock, mas depois descobri em casa alguns discos de música instrumental brasileira e vi que era aquilo que eu queria tocar. A partir daí, comecei a procurar por todo tipo de música instrumental, para o jazz foi um passo natural.

PW – Como é a sua metodologia de ensino?
GB – Independente do nível do aluno e do estilo de música que ele queira aprender, eu procuro colocar questões teóricas, desde as mais básicas, para que ele aprenda desde o início a pensar antes de tocar e usar o aprendizado  teórico e harmônico como uma ferramenta para se ganhar tempo, evitando apenas a tentativa, erro ou acerto. Outro método que gosto de utilizar é, ao estudar qualquer estilo de música, fazer o aluno aprender algumas músicas, analisar o que o baixista toca e criar formas alternativas de tocar estas mesmas músicas. Assim, o aluno aprende um vocabulário sobre tal estilo e estrutura suas próprias idéias.

PW – Quais são as suas influências e o que você tem escutado ultimamente? 
GB – Atualmente as minhas influências são os músicos com quem venho tocando. Tenho a sorte de trabalhar com músicos muito competentes tais como: Lupa Santiago, Carlos Ezequiel, Vitor Alcântara, Walter Nery, Fernando Baggio e Marcelo Coelho. Com estes mantenho trabalhos autorais extremamente complexos e muito criativos com os quais venho aprendendo muito, pois tenho que estudar muito para acompanhar esta turma.
   Dos grandes mestres da música que me influenciaram, eu dividiria em dois grupos:
 Os contrabaixistas – Scot La Faro, Niels Pedersen (NHOP), Dave Holland, Jaco Pastorius e Luís Chaves (Zimbo trio) que foi meu professor.
Compositores: Thelonious Monk, Egberto Gismonti, novamente o Dave Holland e atualmente Villa-Lobos, que estou ouvindo para fazer alguns arranjos de suas composições para o Sinequanon.
Essa história de citar influências é cruel, pois ouço e estudo música há muito tempo e já ouvi tanta coisa que com certeza me influenciou. Mas estas que eu citei são importantes.

PW – Você gravou com vários artistas, sendo que o último foi do grupo homônimo Rapazes do Trio. Gostaria que você nos contasse como foi gravar este disco e quais as suas perspectivas para este trabalho.
GB – Os “Rapazes” começou com um convite do Walter Nery para iniciarmos um trabalho autoral.  A idéia foi dele e ele convidou a mim e ao Fernando Baggio.
Todo início de um trabalho deste tipo é complicado, pois tem a fase do conhecimento musical entre os integrantes já que nunca havíamos tocado juntos antes, além da formação de trio com guitarra ser complicada, pois existem muitos espaços a serem preenchidos, e saber lidar com o vazio musical é uma característica que passa a ter muita importância. A criação do repertório voltado para a sonoridade esperada do grupo também é um trabalho muito árduo, tanto que a maioria das músicas deste CD é de autoria do Walter, que foi o mentor inicial do grupo.
Acredito que o resultado final deste primeiro CD foi além das nossas expectativas e espero que consigamos nos superar no próximo, uma vez que já nos conhecemos bem e a sonoridade do trio já está relativamente estabelecida.
A minha perspectiva para esse trabalho é chegar ao quarto CD, pois acredito que nesta fase o grupo estará estabelecido e, a partir daí, o caminho estará consolidado. Como estamos no primeiro CD, ainda temos muito trabalho pela frente!

PW – Você também é integrante do grupo Sinequanon, ao lado de Lupa Santiago, Carlos Ezequiel e Vitor Alcântara, com quem gravou três discos. Como está este trabalho? Há previsão para lançamento de um novo álbum?
GB – O Sinequanon já é um grupo bem mais estabelecido. Acabamos de lançar o quarto CD. São três CDs como Sinequanon e o primeiro que foi uma parceria entre o Lupa Santiago e o Carlos Ezequiel, mas que foi trabalhado por muito tempo comigo e o Vitor Alcântara. O novo CD “Horizonte Artificial”, foi lançado no segundo semestre de 2008, ainda estamos trabalhando na divulgação dele. Como sempre fazemos, mais ou menos quando um CD completa um ano, começamos a trabalhar o próximo e assim estamos mantendo uma média de um lançamento a cada um ano e meio.

PW – Você já pensou em gravar um disco solo? Como seria este trabalho?
GB – Na verdade, nunca pensei em gravar um disco solo, mas pode ser que um dia eu grave.

PW – Como funciona a cooperativa musical SP Vanguarda Instrumental?
GB – A cooperativa começou mais ou menos assim: os CDs do Sinequanon e dos Rapazes do Trio saíram na mesma época, diferença de um mês. Quando fomos fazer a divulgação do CD do Sinequanon, eu tive a idéia de mandar o dos Rapazes junto para reduzir os custos uma vez que enviamos os CDs para quase 200 lugares, jornais, revistas, rádios e sites especializados, nacionais e internacionais. Bom, o CD do Marcelo Coelho (MC4+) era relativamente novo e conversei com ele e ele topou na hora fazer parte deste trabalho. Como já era um trabalho cooperativo, o próprio Marcelo teve a idéia de criar a cooperativa. Convidamos mais alguns músicos e demos o pontapé inicial.
A cooperativa ainda é uma idéia embrionária, mas já está dando frutos. A partir de março, teremos um festival exclusivo da SP vanguarda no Centro Cultural Rio Verde, na vila Madalena. Em breve divulgaremos as datas e os shows.

PW – Deixe um recado para os nossos internautas, principalmente àqueles que pretendem ingressar na carreira musical.
GB – Para aqueles que pretendem ingressar na carreira musical, o meu recado é para se prepararem da melhor forma possível. Estudem bastante e mergulhem de cabeça, pois esta profissão é muito prazerosa. Como professor, sempre me deparo com a questão de sobrevivência, se música dá dinheiro, etc. Eu sempre digo o seguinte: qualquer profissional, de qualquer área, se quiser ser bem sucedido, terá que estudar mais ou menos 12 anos para depois escolher uma faculdade e estudar mais 4, 5, 8 anos, para depois entrar no mercado de trabalho e batalhar mais uns 10 para se estabelecer. Estou falando de 20 a 30 anos para uma pessoa se estabelecer em qualquer profissão! Na música não é diferente. Felizmente, nosso país vem melhorando sócio e economicamente, o que tem feito com que mais pessoas estudem música e optem pela profissão - basta comparar o número de faculdades de música que temos hoje com 10 anos atrás. O mercado de trabalho ainda é difícil, mas hoje é muito melhor do que ontem e a tendência é melhorar. Mas com isso, a concorrência será maior e as exigências com o profissional também! Então, aquela estória de “eu quero ser músico, mas vou fazer uma faculdade de direito ou odontologia para garantir qualquer problema no futuro”, para mim não faz mais sentido. O melhor para quem quer ser músico é estudar música com amor e seriedade.

 

 

 

 
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