Revista Souza Lima

Gilberto de Syllos

 

Por Paula Witchert/ Fotos: Divulgação

 

Gilberto de Syllos

 

 

 

Bacharel em música pela UNICAMP, Gilberto De Syllos pode ser considerado uma das maiores referências em contrabaixo no Brasil.

É autor de dois livros: “Bateria e Contrabaixo na Música Popular Brasileira" (Editora Lumiar, 2003) com Ramon Montanhaur e “Técnicas para Baixo Elétrico na Música Brasileira” (Editora Souza Lima, 2008); dois CDs: “Tocando Baixo” (1997) e ”Tap Bass” (2008) com Christiane Matallo.

 

Além disso, compôs a trilha sonora do filme "Noir", de Diego Ruiz de Aquino e Helton Ladeira (Paprika Filmes, 2007) em parceria com Marcelo Onofri, produziu o espetáculo “Pincel do Som”, é professor do Conservatório e Faculdade Souza Lima & Berklee e excursiona pelo mundo ao lado de Christiane Matallo com o show “Da Corda pro Pé”,entre outros trabalhos. Um currículo invejável e que impõe respeito.

 

PW – Gilberto, você iniciou seus estudos musicais no violão. O que te fez mudar para o contrabaixo?Gilberto de Syllos
GS – Do violão passei rapidamente para a guitarra. Quando comecei a tocar na minha primeira banda em 1982, tocava guitarra (base) e a vaga de contrabaixo ficou aberta por meses. Naquela época, contrabaixista era coisa muito rara. Portanto fui intimado pelo guitarrista (solo) e pelo baterista a mudar de instrumento.
http://musicosdobrasil.com.br/gilberto-de-syllos

 

PW – Gostaria que você nos contasse como é o trabalho de coordenação do Curso Técnico de Contrabaixo no Souza Lima e a sua metodologia.
GS –
Fui convidado pelo professor Lupa Santiago a organizar o programa do curso de contrabaixo. Foi um trabalho de muita responsabilidade e de constante reavaliação. São mais de 20 anos ensinando e devo o gosto e o dom de ensinar aos meus antepassados. Meus avós, mãe, madrinha, tios e irmã são educadores.
http://gilbertodesyllos.blogspot.com/

 

PW – Você possui dois livros lançados, um recentemente. O que você aborda neste último livro? Para qual perfil de estudante este material é elaborado?
GS –
O livro se chama "Técnicas para baixo elétrico na música brasileira" (editora Souza Lima) e o fiz por uma questão básica que é a necessidade e carência de material especializado no assunto. Já ouvi coisas do tipo "mas já tem uns dois títulos sobre música brasileira". Conheço uma loja em Nova York especializada em livros e partituras musicais e contabilizei numa simples visita, mais de 150 títulos só de baixo elétrico (mais de 20 dedicados ao Jaco Pastorius).  Não existia um só livro sobre música brasileira.

Quando comecei meus estudos, não existiam livros sobre baixo elétrico, sequer existiam instrumentos nacionais de qualidade, além de poucos professores especializados. Este cenário felizmente está mudando, principalmente com a edição de materiais importantes para o desenvolvimento musical em geral.

É um material inédito no mercado mundial, onde compus e escrevi peças para serem tocadas por dois e até três contrabaixos simultaneamente. É um reflexo do trabalho que desenvolvo há anos como compositor e professor, além do desenvolvimento do instrumento como linguagem musical. Foi imprescindível a escolha de uma temática moderna e a música brasileira é o meu melhor veículo de comunicação.
http://www.editorasouzalima.com.br/livros/livro_gilberto01.html

 

03-gilberto-thumbPW – Você e a sapateadora e saxofonista Christiane Matallo lançaram no ano passado o CD "Tap Bass", que é fruto do espetáculo "Da Corda pro Pé" que vocês iniciaram em 2003. Gostaria que você nos contasse como foi gravar e a produzir este disco e também como surgiu a idéia de fazer este trabalho que mistura música, sapateado e expressão corporal.
GS –
O CD é conseqüência de cinco anos de trabalho. Realizamos um trabalho que chamamos de "música para se ver e dança para se ouvir".  No Cd, tivemos que redirecionar o nosso trabalho para a audição estrita, sem a performance. Foi uma experiência diferente, pois a base do trabalho é o baixo e o sapato.  A origem do trabalho foi a partir de um convite da Christiane e depois de muitos ensaios e laboratório, construímos a primeira peça que deu origem ao nome do CD, "Tap Bass". Desde então temos feito apresentações no Brasil e exterior, sempre despertando muita curiosidade. Em abril estaremos na Alemanha.
http://www.youtube.com/watch?v=RR-MguKMshU

 

PW – Você dirigiu e compôs a trilha sonora do espetáculo "Pincel do Som" que estreou em 2008. Como foi a concepção deste projeto e como surgiu o convite para fazer este trabalho?
GS –
É um espetáculo de dança contemporânea, portanto tive que aprender e conhecer um pouco sobre esse universo que até então eu desconhecia. Nesse espetáculo, sou instrumentista, bailarino e o compositor da trilha. Meu contrabaixo é apresentado como um personagem do espetáculo, possuindo um nome. Somos quatro integrantes: Marcela Benvegnu, Christiane Matallo, "Rabecão da Silva" e eu. As peças musicais foram criadas a partir de sons de pincéis que gravamos e tocamos de diversas maneiras por todo o corpo do baixo acústico.
http://www.pincel-do-som.blogspot.com/

 

PW – Muitos músicos têm interesse de seguir para o lado da direção, compor trilhas ou produzir espetáculos, mas não sabem por onde começar, além de considerarem o espaço muito restrito e 'fechado'. Quais são as dicas que você daria para quem quer entrar nesta área da música?
GS –
Todo o início é difícil, mas o que os jovens interessados precisam ter em mente é que tudo leva tempo. Além disso, você também tem que estar interessado em conhecer outras linguagens artísticas. Aprendo muito ouvindo músicos, apreciando a dança, dramaturgia, pintura e principalmente a natureza. Tudo isso me inspira muito. Tenha paciência, perseverança e estude muito.
http://br.youtube.com/watch?v=u72lVw4zHWo

 

PW – Seus trabalhos musicais são mais voltados para o jazz e a música brasileira. Entretanto, sabemos que você também gosta muito de rock. Você pretende algum dia fazer um trabalho voltado para este estilo?
GS –
Agora você me fez recordar de um festival que fui convidado para um workshow de baixo solo, há uns quatro anos atrás, e no último dia, o show de encerramento estava por conta do Eduardo Ardanuy (um dos melhores guitarristas de rock do planeta). Eu tive a dura missão de ser o penúltimo show do festival. Ninguém me conhecia, e é claro, ninguém estava lá para me ver tocar ou falar sobre baixo elétrico. Mandei um repertório que não fazia parte da galera que estava presente. O mais surpreendente é que a moçada gostou e pediu bis. Tive sorte, pois o Edu me convidou para tocarmos juntos, tipo ‘grand finale’. O teatro veio abaixo e para minha surpresa ouvi dele “não sabia que você tocava bem rock..." (tomara que tenha sido um elogio).
Meu trabalho é voltado para a música. Gosto de ouvir e aprender coisas novas. Acima de tudo, gosto de boa música, portanto não me importo com rótulos. O melhor exemplo é a versão que criei recentemente para o tema dos Flintstones. Em uma única música, misturei elementos do jazz, do rock, do funk, da música latina, da música eletrônica e acima de tudo, muito bom humor.
(Visite a seção MP3 e ouça a versão)

 

PW – Falando nisso, quais os seus próximos projetos?
GS -
Ganhar muito dinheiro com música.

 

PW – O que é música para você?
GS –
O idioma mais perfeito do universo.

 

PW – Deixe um recado para nossos internautas.
GS -
Não compre livros de música pirateados, nem faça cópias ilegais.   O próximo autor pode ser você!!!

Acesse: www.myspace.com/gilsyllos

 

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