Ximba Uchyama
Por: Paula Witchert/ Fotos: Divulgação
Ximba Uchyama é considerado um dos contrabaixistas mais respeitados de nosso país.
Com 20 anos de carreira, já gravou com Zé Rodrix, Ângela Ro Ro, Mato Grosso e Mathias, Pery Ribeiro, Cauby Peixoto, Sandra Pêra, Zizi Possi, Max Vianna, Vanessa Jackson, Bipin´, Voga, entre outros.
É autor de três vídeos aulas: “Escalas e
Aplicação”, “Trilogy” e “Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Slap” e dos books: “Rítmos e Grooves I” e “60 Exercícios de Técnica para Contrabaixo. Também é autor do método de contrabaixo da Editora TKT com três volumes. Atualmente integra o grupo Três de Paus com quem gravou o CD “Preto de Cabelo Branco” e o DVD “Três de Paus ao Vivo” e também é docente do Souza Lima Ensino de Música. Com sua vasta experiência, Ximba conta alguns detalhes de sua carreira e do cenário musical.
Paula Witchert
PW - Você é endorser da Elixir Strings & Cables e da Vertical Bass WG. O que você analisa na hora de fechar contrato com uma marca?
XU – Principalmente a qualidade do equipamento e o que a marca pode me proporcionar em termos de marketing e trabalho. Houve um tempo que o legal era ganhar equipamento, qualquer que fosse, mas estou num momento profissional que quero ser mais personalizado no meu som, e não é qualquer equipamento que me dá isso. Por outro lado, a marca tem que fazer anúncios e divulgar seu produto, além de promover o músico fazendo workshops. As cordas Elixir têm um timbre impressionante, diferente de tudo que tinha visto até então, a satisfação é total, e o vertical WG é feito pelo luthier Gabriel, um perfeito artesão. Ajudei-o a projetar esse instrumento associando beleza com qualidade e chegamos num instrumento nível exportação.
PW – O seu grupo em conjunto com o baterista Douglas Las Casas e o guitarrista Agenor de Lorenzi, Três de Paus, está em pré-produção do seu próximo CD que homenageia o baterista, percussionista e compositor “Airto Moreira”. Por que a idéia de homenagear esse músico?
XU – O Airto é um nome muito importante para música brasileira e pouco conhecido no Brasil, talvez pelo fato de morar nos EUA a mais de 40 anos. Já tocou com todos os grandes músicos americanos: Herbie Hancock, Chick Corea, Stanley Clarke, na década de 70 tocava com Miles Davis e ano passado foi convidado pelo Corea para gravar um CD junto com o baixista Eddie Gomes. Isso para mostrar sua longa e importante carreira. Gostamos muito de homenagear músicos que exportam a música brasileira, por isso a escolha pelo Airto.
PW – O que os fãs do grupo podem esperar deste novo CD?
XU – Nós fizemos uma releitura das músicas do Airto. As gravações originais têm muitos músicos tocando, muita percussão, etc, e tivemos que adaptá-las para o formato trio. O Três de Paus tem personalidade musical, com músicas muito arranjadas, com várias partes e sessões “democráticas” de solos, muito suingue aliado à técnica e pressão sempre. Resumindo, é pura diversão.
PW – Qual a sua principal preocupação na hora de gravar um disco?
XU – A parte musical é uma obrigação estar 100%, então nem vou comentar, mas todo o processo de gravar um CD é trabalhoso, principalmente a captação dos instrumentos. Por isso, a escolha do estúdio é importante. Se conseguirmos um ótimo som na hora de gravar, facilita na mixagem e na masterização, mas a maior preocupação é que o resultado final não soe como uma produção barata, de má qualidade. Escute um cd do Pat Metheny ou do Marcus Miller e saberá o que estou falando. Claro, nas devidas proporções. O músico brasileiro deveria se preocupar mais com isso.
PW – Você é da praia do jazz/groove/funk, mas também estudou o erudito. Qual a sua metodologia de ensino?
XU – Tenho meu próprio método e apostilas, mas independente do que o aluno vai estudar, procuro passar o que aprendi muito com o erudito, que é a disciplina, sem ela o aluno não desenvolve. Da metodologia em si, gosto de fazer o aluno tocar, aplicando a matéria dada em músicas do meu cotidiano ou da preferência do aluno, trabalhando “groove”, harmonia, melodias, técnica, leitura e improvisação.
PW – Você ainda estuda erudito? Como ficou este lado musical na sua carreira?
XU – De vez em quando pego algumas peças para estudar afinação e também as técnicas de arco. Mas profissionalmente o mercado erudito exige que o músico seja jovem, pois uma pessoa mais velha, com mais de 30 anos, não tem espaço para iniciar no mercado de trabalho. Este mercado praticamente se resume em tocar nas orquestras, além de ser muito fechado, por exemplo: se você estuda com fulano não entra em tal orquestra, ou com siclano não serve para tal cachê e etc. Apesar de tudo foi uma época que estudei muito, muito mesmo. Não só instrumento, mas também teoria, harmonia tradicional, percepção, etc. Foi uma passagem muito importante para minha carreira.
PW – O que você mais preza num estudante de música e qual a dica para quem quer se tornar profissional?
XU – Adoro ver um aluno com paixão pela música e pelo instrumento, esse você sabe que vai chegar com a matéria pronta, estudada e fica muito prazeroso dar aula, porque rola uma interação. Claro que nem todos que estudam música têm a intenção de serem músicos profissionais, por isso, a cobrança deve ser proporcional ao que o aluno quer: se ele me diz que quer ser profissional, vou ficar no pé dele, no bom sentido, cobrando e exigindo o máximo para que consiga realizar seu sonho. Muitos querem, mas às vezes demoram a “cair a ficha”, perdendo um tempo precioso.
Para se tornar profissional o primeiro quesito é tocar bem. Aliás, hoje em dia, com a facilidade ao acesso a material didático todo mundo no meio profissional toca bem, por isso é necessário estar pelo menos um degrau acima desse “tocar bem”. A partir disso, sair á noite nos bares e tentar se enturmar, “dar canjas” e tocar com muitos músicos diferentes. Logo estará numa banda, fazendo eventos, gravações, trabalhando como sideman, etc.
PW – Você gravou o último vídeo aula em 2004. Existe previsão para lançar uma próxima? Sobre qual assunto seria?
XU – Primeiro quero passar minha primeira vide-aula “Escalas e Aplicação” lançada em 95 para DVD. É uma aula que gosto muito, falo de maneira abrangente sobre os modos, campo harmônico maior, acordes e intervalos. A última que gravei se chama “Tudo o que você sempre quis saber sobre SLAP”, de nível intermediário e que deve ter uma continuação de nível avançado, provavelmente no segundo semestre deste ano. Tenho idéia de gravar uma só de grooves de pizzicato, mas vou decidir com a minha produtora.
Neste mês de março estará nas bancas de jornais de todo país o meu método sobre “Técnica”, da coleção “Toque de Mestre”, da editora HMP.
PW – Você acredita que estes materiais (métodos ou vídeo aulas) são essenciais para o aprendizado musical? Por quê?
XU – Totalmente essenciais, simplesmente porque este foi meu aprendizado no instrumento. Meus pais não tinham condições de pagar uma escola ou professor de música, então tive que me virar com métodos e vídeo aulas. O que me ajudou muito foi a teoria que aprendi na Escola de Música Municipal de São Paulo na década de 80, pois com a base teórica consegui entender o conteúdo dos vídeos e métodos. Nessa época era muito difícil conseguir esse material e por isso havia também uma maior valorização. Hoje tudo está na internet, na maioria das vezes de graça, e há pouca dedicação a esse material.
PW – Você trabalhou como sideman de vários artistas e atualmente trabalha com o Zé Rodrix e com o Faíska, com quem toca há mais de 10 anos e gravou dois discos e dois DVDs. Como é trabalhar com eles e em quais projetos você está envolvido?
XU – Quando atuamos como sideman, tocamos o que o artista quer, a liberdade é limitada. Não que isso seja ruim, adoro curtir os grooves e tocar em produções grandes - faz parte da carreira de um músico. Mas, particularmente, desejo uma projeção maior como instrumentista e com artista isso é mais difícil.
Falo que o Faiska é meu padrinho musical. O fato de tocar com ele me abriu algumas portas e aprendi e aprendo muito com sua postura profissional.
Há alguns anos invisto no “Três de Paus”: gravamos dois CDs e um DVD e, como falei anteriormente, estamos em fase de pré-produção no que será o próximo CD e talvez DVD também. Os músicos envolvidos são muito bons, tocam para banda o que facilita demais a conversa musical. Todos têm sua hora de “falar e ouvir” e a cada show a música se desenvolve de maneira diferente.
PW – O que você deseja fazer em sua carreira que ainda não teve oportunidade?
XU – Tocar no exterior e de preferência com meu trio, pois tenho certeza que a receptividade será ótima, pois a música brasileira é muito bem conceituada e o que fazemos não tem ‘nhãnhãnhã’! Isso eles já conhecem há muito tempo! Está na hora de levar a música brasileira moderna, com muito suingue e pressão. Ano passado quase rolou, mas com a crise foi cancelado... Quem sabe neste ano...
Abraços a todos!
Site: www.ximba.com.br




