Revista Souza Lima

A história da guitarra – Os primeiros captadores

Por: Reinaldo Figueiredo

 

Reinaldo FigueiredoOlá, pessoal, no nosso primeiro artigo comentamos sobre a origem do violão, instrumento que originou a guitarra elétrica.

 

 

Nele comentamos também a importância da Península Ibérica no desenvolvimento do instrumento e como ele se espalhou pelo mundo conquistando todas as culturas. Continuando então nossa jornada, prepare-se para mais uma viagem no tempo.

Os ibéricos (portugueses e espanhóis) eram potências mundiais e grandes comerciantes e navegadores, fato que fez com que descobrissem o “novo mundo”, nome pelo qual é conhecida as Américas. O comércio colaborou para que buscassem um novo caminho para a Índia e o domínio sobre a navegação fez com que atravessassem todo o Oceano Atlântico até chegarem, por acaso, às Américas (como não há unanimidade em nada, mais uma polêmica aqui. Existem pesquisadores que afirmam que a descoberta do novo mundo não teria sido “acidental” e sim algo planejado com cuidado, mas isso não muda o ponto em que queremos chegar).

 

O violão vinha perdendo espaço em orquestras por razão da sua pouca projeção sonora, ou seja, pelo seu baixo volume se comparado a outros instrumentos, como o violoncelo e o piano. Por esta razão, ele foi sendo substituído por outros instrumentos e seu repertório e execução se concentraram mais em música de câmara, formada por um número menor de instrumentos e, por conseqüência, tornando o violão mais audível em meio à pequena massa sonora. Pelo seu timbre, tamanho e volume, ele se tornou ideal para acompanhar músicas cantadas e rapidamente caiu no gosto popular de diversas culturas do novo ao velho mundo (nome como era chamada a Europa).
Não somente o violão perdia espaço em orquestras, mas vários instrumentos de corda vinham perdendo espaço nas mais diversas formações instrumentais por seu baixo volume. Talvez o instrumento de corda que tivesse maior volume fosse o banjo, mesmo assim não era tão alto que pudesse se destacar em um grande conjunto.

 

A necessidade de aumentar o volume destes instrumentos fez com que várias pessoas buscassem uma maneira de desenvolver algum sistema de amplificação do volume. Nesta busca, um guitarrista texano de lap steel, também conhecida como guitarra havaiana, chamado George Beauchamp desenvolveu até mesmo um novo instrumento por meio da ajuda do luthier John Dopyera, o resonator, conhecido no Brasil como violão dinâmico. Mas nada fez com que qualquer instrumento soasse tão alto como quando Beauchamp inventou o primeiro sistema de captação de som para instrumentos.
Por volta de 1930 já se sabia que um objeto de metal que se movesse sobre um campo magnético causaria um distúrbio nele que poderia ser convertido em corrente elétrica por uma bobina de fios que estivesse próxima ao campo. Beauchamp se dedicou então à pesquisa de um sistema de captação que pudesse ser colocado em uma guitarra uma vez que os sistemas parecidos com captadores usados em outros aparelhos eram grandes demais para serem adaptados em algum instrumento.

 

Após várias tentativas, Beauchamp criou um captador usando dois imãs de ferradura de cavalo fazendo com que cordas passassem por eles e por uma bobina com seis pólos, concentrando assim o campo magnético sobre cada corda. Todo o trabalho foi realizado na mesa de jantar da família utilizando o motor da máquina de lavar de casa para enrolar as bobinas. Desta forma foi inventado o primeiro captador que, pelo seu formato, foi batizado de horse shoe, (ferradura).
Ele montou este captador em um modelo de lap steel feito à mão por um artesão chamado Harry Watson e este modelo, a primeira guitarra elétrica fabricada, ficou conhecida como frying pan (frigideira, nome dado, dizem, pela forma com que foi criada, usando materiais caseiros e a mesa de jantar para o serviço). A patente do produto foi pedida em 1932 e em 1937 foi cedida a George Beauchamp.

 

O pontapé inicial foi dado, a partir daí várias outras empresas desenvolveram outros modelos de captadores e toda a construção da guitarra foi diretamente influenciada por esta invenção. Detalhe: todas as guitarras deste período eram acústicas ou semi-acústicas.
A maioria dos músicos via com desdém a criação de instrumentos eletrificados e foi nas mãos de Charlie Christian, lenda do jazz, que a guitarra elétrica, por meio do modelo ES-150 da Gibson, ganharia a apreciação e o respeito de todos elevando a guitarra ao status de instrumento solista e não apenas acompanhante. Este modelo inclusive ficou eternamente conhecido como Charlie Christian

 

Model e os captadores que foram desenvolvidos para ele são considerados os melhores para o jazz até hoje.
Uma curiosidade: você sabe o que significam as letras ES do modelo? ES vem de Electric Spanish, ou seja, Espanhola Elétrica, por ser um tipo de guitarra espanhola (lembra do nosso primeiro artigo?) eletrificada.
A invenção do primeiro captador representava uma revolução na fabricação de instrumentos musicais e teve profunda repercussão no desenvolvimento da música que ouvimos hoje, afinal, não fosse pela amplificação, como teria surgido, por exemplo, estilos que dependem diretamente da amplificação como o rock e o metal?

 

http://www.reinaldofigueiredo.com

 

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