Somberlain
“Sick Artwork”
10 faixas – 40:01’
(Independente)
Nota: 8

Uma das coisas que mais deixa um crítico musical contente é ver que uma banda promissora na qual ele recebeu um material ainda na sua fase de demos, acreditou no seu potencial próprio e, enfim, chegou às vias de fato com o lançamento do seu primeiro álbum oficial. Ainda me lembro de quando trabalhava em outra publicação e tive o prazer de conhecer o som desta banda cearense através da demo “Humanity’s Funeral”, de 2004, e o quanto fiquei impressionado com a qualidade das quatro músicas apresentadas naquele registro. E, três anos mais tarde (este álbum foi lançado no final do ano passado), recebo em mãos este CD oficial. Além da satisfação em ver que a banda chegou a realização de um dos seus sonhos, tive outra comprovação imediata: de que o Somberlain evoluiu tanto que pode ser considerada como uma das mais gratas revelações do metal extremo nacional nos últimos anos. Mesmo que você seja um grande fã do estilo e tenha em sua coleção aqueles LPs antigos daquela excelente safra do death metal norte-americano do final dos anos 80 e início dos 90, que apresentou ao mundo nomes mais do que importantes como Morbid Angel, Cannibal Corpse, Deicide, entre tantos outros, vai se impressionar com esta bolachinha, porque o resultado musical encontrado neste ótimo “Sick Artwork” é serviço de gente grande e com profundo embasamento no assunto. As mudanças de andamento são muito bem calculadas, quebrando e dosando a velocidade na medida certa, com solos velozes na linha Slayer, sendo que alguns apresentam uma dose maior de melodia. Desnecessário dizer que o trabalho da cozinha é de quebrar o queixo e de por banca em muita banda veterana que se preze. Os vocais também se valem de destaque pela sua crueza, mostrando um gogó realmente potente e que supre a demanda imprimida pelo ritmo do instrumental. Mas o trabalho de guitarras é o que realmente mais me chamou a atenção, apresentando uma técnica impressionante com muita precisão nas quebradas e, ainda, despejando riffs que incitam o movimento frenético da cabeça. A faixa “The Mourning” que, inclusive, era uma das quatro músicas que faziam parte daquela demo que citei no início deste review (N.R.: além dela, as faixas “Humanity’s Funeral” e “Intentions Of The Human Esteem”, ambas da mesma demo, também foram aproveitadas no debut), já era um destaque, só ganhou mais elogios nessa nova, digamos, “roupagem” apresentada aqui, ganhando um novo gás com a nova produção. Aliás, este é outro fator que merece destaque no álbum, uma vez que não deve nada as grandes produções do gênero. É verdade que o grupo usou de algumas ferramentas de grande praticidade em estúdio, mas a banda tem tanta qualidade que você pode ter certeza que o que você vai ouvir aqui será fielmente apresentado em cima de um palco. Apesar da homogeneidade da qualidade do material, a faixa “Swamp Of Despair” foi a que mais me chamou a atenção por ser, simplesmente, a música mais completa de todo o álbum, na minha modesta opinião. Uma verdadeira aula de peso, bom gosto, encaixes precisos e boa variação rítmica. Em determinados momentos, toda essa criatividade e precisão me lembrou o saudoso Death. Aliás, nota-se que a banda de Chuck Schuldiner (R.I.P.) é uma das grandes influências do grupo, bem como nomes seminais como Morbid Angel e Cannibal Corpse. Tá certo que são referências tão óbvias do estilo quanto o Black Sabbath é para o heavy metal em geral, mas não custa nada lembrar do que é fundamental. Essa rapaziada tem tudo para ir muito longe e se continuarem nessa vibe, o Somberlain tem tudo para dar grandes saltos na cena. Mesmo porque o principal – qualidade e criatividade – eles já tem de sobra.

Vinicius Mariano

 
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