Paulo Freire
“Redemoinho”
12 faixas – 47:14’
(Vai Ouvindo)
Nota: 10

Mais um grande CD de viola com um sotaque tão regional, mas com outras influências que enriqueceram muito o trabalho. O violeiro e compositor Paulo Freire apresenta o CD “Redemoinho” com um time de primeira, tendo Lara Ziggatti no violoncelo, Adriano Busko na percussão, Tuco Freire no baixo, Mané Silveira na flauta (e no sax alto), Dalga Larrondo no zarb e Guello no pandeiro.
O trabalho começa com a singela Fieira - ah sim, todas as músicas são de autoria do próprio Paulo Freire – com uma viola solo no começo, que ganha um colorido especial com a entrada da flauta, nos remetendo a um lugar tranqüilo ao som de algo tão bonito.
A segunda faixa é “Na Tábua da Beirada”, que inicia com um solo percussivo do zarb. Depois com a viola e o violoncelo dão um ar de seriedade, não que o resto do CD seja de brincadeira, mas esta pela sua tessitura mais grave, nos remete a algo mais denso. Falando nisso, a terceira faixa, “Violice”, é a única que tem o sotaque menos regional de todo o álbum, embora apresente um dos solos de sax mais bonitos de todo disco.
Um dos destaques da seleção é a faixa “Buritizal”, dotada de um som de viola sensacional. No encarte do CD, que, aliás, muito bem feito, Paulo Freire diz que este trabalho é para seus mestres. Bom, eles devem estar muito orgulhosos do “discípulo”, que com toda a sua história de vida e carreira lançou um trabalho tão primoroso. Outra prova disso é a faixa oito, “Carpi as Horas na Viola”. O regionalismo volta a primar na faixa intitulada “Gutão”.
Se fosse uma competição, a música campeã do CD seria a surpreendente “Nhaninha”. Ela começa apenas com o som de viola, mas a surpresa começa com a entrada do violoncelo fazendo uma linda melodia e depois a percussão, em que a música cresce tanto que toma conta de todo o ambiente e de nossa alma.
Para finalizar esta resenha, vamos para o duo de viola e pandeiro na faixa “Pica-pau Sacudido” ou “Teimoso”, uma pequena mostra do talento de Paulo e Guello. Depois, vem a música-título, uma das mais belas de todo o trabalho.

Mariana Sayad

 
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