Opeth
“Watershed”
07 faixas – 54:54’
(Roadrunner – imp.)
Nota: 9,0

É correto dizer que o Opeth já foi uma banda de death metal, mas é fato de que nunca foi apenas isso. O termo "death metal" se aplicava à banda por sua base musical ser calcada no estilo, mas eles sempre fizeram mais do que isso com a inclusão de passagens acústicas, vocais limpos e elementos de influência direta do rock progressivo. Com o passar dos anos foi ficando cada vez mais evidente o lado prog e menos presente o lado death. O álbum anterior da banda, ”Ghost Reveries” (05), já dispunha de um clima todo voltado ao progressivo dos anos 70, característica essa muito notada também pelo uso de Hammond no disco. Já “Watershed” não é tão marcado pela presença do órgão, mas é provavelmente o álbum mais progressivo da banda, sendo que em números, 70% do disco segue por essa linha enquanto o tempero death se faz com os outros 30%. Quebras de tempo repentinas, passagens acústicas, vocais limpos, vocais guturais, ou seja, todos os elementos que o Opeth vem se focando nos últimos anos estão presentes, mas com diferenciais, a começar pela primeira faixa do álbum, "Coil". Começar um disco com uma música acústica num álbum que não é voltado para o "unplugged" como foi “Damnation” de 2003 é algo estranho, e o toque final com o uso de vocais femininos deu um efeito ainda mais inovador e ousado. Em seguida, "Heir Apparent" mostra a veia metal da banda de volta, embora não caia nos clichês do estilo, tendo sua brutalidade interrompida por passagens acústicas e um lindo fraseado de guitarra ao fim. "The Lotus Eater" é mais uma de grande ousadia para a banda. A música começa com blasting beats ao melhor estilo black metal, porém acompanhada de vocais limpos, lembrando bandas como o Borknagar, seguindo com as quebradas já usuais do grupo sueco. Desta faixa em diante, a presença de violões, frases de guitarras e solos, é maior que a de riffs ríspidos e pesados.
Muitos fãs torceram o nariz com o já citado “Ghost Reveries”e esses se unirão a outros para fazer o mesmo com “Watershed”. Há até balada no disco: a faixa "Burden". Aliás, ela já pode ser tida como uma das mais belas da banda, emocionando fácil e convidando o ouvinte para cantar com o CD.
Para quem conhece os trabalhos anteriores do grupo, em termos de variação elétrica/acústica, eu colocaria “Watershed” próximo do álbum “Still Life”, de 1999, mas como já dito antes, a coisa aqui é muito mais progressiva, sem apelar para o virtuosismo (leia-se exibicionismo gratuito). Só para constar, a entrada do baterista Martin Axenrot (Witchery, Bloodbath, Satanic Slaughter, Triumphator, Nifelheim) no lugar de Martin Lopes (que deixou a banda por problemas de saúde), não alterou em nada a sempre criativa cozinha da banda. Menos death, menos segmentado e mais variado. Resultado: novos fãs virão enquanto outros começarão a ir de vez. Eu, particularmente, sigo com a banda.

 

Heverton Souza

Faixas:

1) Coil
2) Heir Apparent       
3) The Lotus Eater
4) Burden
5) Porcelain Heart
6) Hessian Peel
7) Hex Omega

Sites:

http://www.opeth.comhttp://www.myspace.com/opeth
 
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