DANCE OF DAYS
Sem tÃtulo (Disco Preto)
13 faixas – 35':07"
Independente – Nac.
Nota: 9.0
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Neste ano, os paulistanos do Dance Of Days lançaram um dos trabalhos mais rápidos, pesados e sintéticos de sua carreia.
O álbum sem tÃtulo, batizado pelos fãs de "Disco Preto", reúne influências da banda ao longo dos anos e mostra a capacidade de fazer o verdadeiro hard core brasileiro, independente de apetrechos tecnológicos, novas tendências e velhas imposições de gravadoras.
Com 13 faixas, o "black álbum" também foi lançado virtualmente e disponibilizado para download através no site TramaVirtual (http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/dance_of_days).
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Ainda que o novo compacto faça um resgate à s raÃzes do grupo, as inovações são muitas, tanto na parte técnica (riffs criativos que não fogem à essência do disco) quanto na literária. Nenê Altro, Tyello, Fausto Oi, Marcelo Verardi e Samuel Rato trazem aos fãs todos os elementos que compõem seu universo musical, do som norte-americano dos anos 80 ao nacional dos 90.
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A faixa que abre o disco antecipa o que vem pela frente: música rápida de qualidade. Colheita maldita faz um resgate na memória daqueles que escutavam Sick Terror (antiga banda de Altro) e algum tempo depois, o disco Coração de Tróia, quando Fábio Altro, o Nenê, já fazia parte do Dance of Days. Rápida, direta, seca, o HC na sua fase embrionária, old school, apenas.
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Em seguida, Esta é a hora de uma nova partida (com participação de KALOTA: B.U.S.H. – O Inimigo). Introdução que me fez revirar as músicas do Circle Jerks e algumas dos Dead Boys, por soar familiar em em certos momentos. As guitarras pesadas praticamente se fundem com a voz estridente do vocalista. KALOTA inicia a canção que chama à inquietação, o não conformismo ou apatia diante da realidade que sufoca os que buscam uma alternativa para imposições e lógica de consumo desenfreada. Quase como um manifesto ou hino, a música reúne os fãs de hard core (e também os que não são tão adeptos ao estilo) para uma nova partida, a chance de se levantar mais uma vez.
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Estorvo (definida por Tyello como “Música trêsâ€) é a palavra que resume bem a letra. A composição traz todas as coisas que frustram a pessoa por trás das entrelinhas: status quo, cena deteriorada, superficialidade, a sede por encontrar novamente o "eu" e com ele seguir adiante. A terceira música pode até parecer um tanto quanto niilista, porém, como diz certo verso: "Mas não é porque estou aqui que vou desabar". Com uma pegada mais punk, surge Mova, intensa e tensa.
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A canção parece abordar o trabalhador, amarrado ao consumo. Riffs e estrutura que lembram Corvos do ParaÃso (A história não tem fim - 2004), Mova – além de criticar o sistema autodestrutivo – também aponta para as pessoas que dentro dele escolhem a alienação como forma de integração e, quando percebem, já não têm mais identidade, apenas a necessidade de comprar para existir. A partir dos 30 segundos de música a velocidade ressurge acompanhada de força, o que reafirma a qualidade do som.
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A quinta faixa, Falo sério, não nasci para o tédio, demonstra versatilidade dentro do estilo, com riffs mais melódicos e letra bem elaborada. Abordando a passagem do tempo, a canção se faz entender pelo tÃtulo. A vontade de continuar, de buscar aquilo que lhe faz sentir vivo, dá sentido não só a sua vida, mas também a sua obra, sua música. Melodia que lembra bem o Dance Of Days e seus acordes bem dosados.
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E livrasse a todos que, pelo pavor da morte… dá continuidade ao disco. Vocal rasgado, bateria intensa e bem compassada, baixo notável e guitarras no talo. A sexta faixa vai direto aos que se batizaram de "donos da verdade". Dogmas e metáforas que separam cada vez mais a sociedade, sexismo e como diria Marx, "O ópio do povo", deixando clara a intenção no verso, "Não vou me ajoelhar a seu livro sexista de guerras e desgraças, julgamentos e mentiras".
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Da constelação que alguns consideram representar Baco, à coroa de Sagitário, Su Tzu e Sant Seya, Corona Australis é o tipo de canção que Nenê Altro faz sem nenhum receio quanto à s metáforas e analogias. Da mitologia à astrologia, Corona pode ser o relato de alguém que conhece a mortalidade, a espera, mas não deixa de tirar os pés do chão toda vez que um dia acaba e outro começa. O possÃvel encontro de Astro Boy (A história não tem fim) e Um canto para Caronte (Ou de como a MantÃcora aprendeu a voar) – do disco A valsa das águas-vivas (2004).
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"Outra uma semana, trabalhando como um desgraçado, pela janela vejo minha vida desaparecer...".  Assim começa a faixa 6 do disco A História não tem fim. Discórdia pode ser considerada a Carro Bomba II do grupo. Ação direta, inconformismo, resistência ao consumismo, escravidão, indústria cultural e passividade diante das mÃdias são alguns dos temas que sustentam e rodeiam a sétima música. Nenê e Fausto Oi descrevem a raiva como combustÃvel, o que faz lembrar de uma banda chamada Bulimia e sua frase inesquecÃvel: "Use sua raiva para construir".
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Garotos Perdidos é o momento em que as guitarras fazem toda a diferença. Marcelo Verardi e Tyello conseguem a harmonia entre a base e os palms seguidos de oitavados e solos que modelam a música. No conjunto, a faixa parece ter sido resgatada no tempo, pois traz aos dias de hoje um HC brasileiro feito na metade dos anos 90 por bandas como Street Bulldogs, Noção de Nada, Dominatrix, Reffer etc. Os garotos perdidos rumam à deriva, juntos, como se caminhassem por horas sem se importar.
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Em Ferris e o Queimador de Livros o clima do álbum A Valsa das Ãguas Vivas (2004) parece estar presente. Repleta de metáforas e já não tão rápida quanto à s antecessoras, é uma bela canção que equilibra a intensidade do Disco Preto. Já Um Sonâmbulo em seu Aquário lembra o som positivo, conduzido pelas guitarras em clima mais "para cima". Esta música reflete a viagem pela história sonora do Dance. Do princÃpio veloz e agressivo, sempre com letras carregadas, à fase mais reflexiva inserida em mitologia, polÃtica e subjetividade até os dias atuais, onde os integrantes demonstram energia e empolgação.
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Não, o disco não repete a música A Vitória (A Valsa das Ãguas Vivas), é apenas a introdução de Minha lista das pessoas que cansaram de mim. Em poucos segundos é substituÃda por um peso que surpreende e mantém a identidade da banda sem grandes alterações. Por fim, Repetindo frases e rimas. Rápida, bem estruturada, uma das melhores faixas do álbum. Destaque para a letra, muito bem elaborada e que, de fato, repete rimas e frases sem deixar de ser interessante. A descrição de uma pessoa e sua mente, a visão de si própria, o resgate da individualidade sem pressupor egoÃsmo.
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O Disco Preto é fechado com qualidade e energia, com o resumo que não impede as reticências, provando que o Dance Of Days ressurgiu e, mais uma vez, assume o tÃtulo que lhe pertence há muitos anos: um dos melhores grupos independentes do paÃs. O álbum não precisou de um nome extenso ou de maiores descrições, ele traz muito da banda e sua carreira. Apresenta aos que não viveram a cena dos anos 90 a energia do HC.
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Faixas:Â
- Colheita Maldita
- Esta é a hora de uma nova partida
- Estorvo
- Mova
- Falo sério, não nasci para o tédio
- E livrasse a todos que, pelo pavor da morte...
- Corona Australis
- Discórdia (Carro Bomba 2)
- Garotos perdidos
- Ferris e o queimador de livros
- Um sonâmbulo em seu aquário
- Minha lista de pessoas que se cansaram de mim
- Repetindo frases e rimas
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Myspace
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(http://www.myspace.com/danceofdays)
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TramaVirtual
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(http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/dance_of_days)
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