Revista Souza Lima

Fã ou apreciador?

Por: Michel Leme

 

Michel LemeNa definição do dicionário Aurélio, a palavra fã significa "admirador exaltado de certo artista de rádio, cinema, televisão, etc.". O termo "exaltado", por sua vez, quer dizer exagerado, excessivo. E é esse exagero que me distancia do uso do termo 'fã' em meu dia-a-dia.



Acho que a idéia de "fã" e "ídolo" é uma distorção de comportamento, isto é, ser fã pressupõe sentir-se inferior ao ídolo, alguém "incapaz de chegar aos pés dele..."

Por outro lado, quem se sente ídolo, está vivendo a patológica ilusão de se achar superior a alguém.

A relação fã/ídolo é mais um equívoco ostensivamente incentivado pelas corporações através da mídia, considerando que este é mais um fator que leva ao consumo voraz, e ainda colocando como verdadeiro fã aquele que compra qualquer produto relacionado a determinado artista ou celebridade, sem questionamento.

Acredito que o termo 'apreciador' caiba melhor àqueles que gostam da arte de alguém, soa muito melhor chamar de 'apreciador de arte'. Esse termo deixa clara a oposição ao culto pela pessoa do artista - ou por seu modo de vida, suas mansões, seus carros, etc.

Me lembro que, quando garoto, eu queria completar a coleção de discos de algumas bandas. Aí eu ouvia alguns discos dos quais não gostava e me questionava:

-"Ué, será que eu sou chato a ponto de não ter gostado de algo desses caras?!"

Refletindo algum tempo depois, percebi claramente que não era isso, eu simplesmente não gostava! E isso foi muito melhor do que me tornar um zumbi, me obrigando a aceitar algo que não me agradava só para ser fiel à pessoa do artista.

No meio 'guitarrístico', com o qual tenho algum contato, vejo coisas esdrúxulas acontecendo. Como por exemplo, alguns garotos atribuírem importância demais a determinado artista só por terem visto o mesmo numa revista especializada, mesmo sem ter ouvido o seu som; e em contrapartida temos aquele que diz não gostar de determinado artista, só porque o seu “estilo” não foi definido pelo jornalista com o rótulo de sua preferência. ..

Essa superficialidade não é culpa apenas do "paga-pau" do exemplo acima, é fruto direto do massacre da mídia vendida, que bate dia e noite na tecla que perpetua a idolatria. Alguns minutos em frente à TV já bastam pra se enojar com o ‘imbecilizante’ culto às celebridades, por exemplo.

E os anunciantes mais pesados - leia-se corporações -, é quem ditam os padrões de comportamento, ou tendências de consumo. A mídia funciona como um alto-falante nocivo que repete as instruções abomináveis dos que a sustentam. E quem não tem meios pra questionar, compra e essa é a perversão! Se aproveitar da ignorância do povo, que tem sido economicamente proibido de buscar cultura.

Mas não devemos temer quem parece mais forte, porque a sua opinião com base, caro leitor, vale muito mais do que a opinião com interesses escusos da "emissora de TV descolada" que dita comportamentos e diz que "fulano é gênio" ou "essa banda é maravilhosa" - e quando você ouve, percebe que é mais uma mentira deslavada que objetiva o consumo puro e simples.

E isso perdura até aparecer o próximo "gênio", inventado pela mesma gravadora, que tem a grana pra comprar toda a "grande mídia" pra divulgar seu novo marionete, etc. É um verdadeiro ciclo vicioso.

Um amigo, sabiamente, me disse certa vez que se você tem a consciência de algo, é sua obrigação alertar àqueles que não a possuem. Por isso, faça valer sua opinião - seja numa conversa ou em espaços na net, como blogs e fóruns - e não tenha medo de se contrapor às unanimidades burras. Só não podemos nos calar!

E se você conseguir fazer alguém começar a questionar tudo isso, já valeu.

Acesse: http://www.michelleme.com

 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar


<<  Maio 2012  >>
 Se  Te  Qu  Qu  Se  Sá  Do 
   1  2  3  4  5  6
  7  8  910111213
141516
212223
28293031   



Caju Comunição & Design
Thumbnail Screenshots by Thumbshots